quarta-feira, 28 de maio de 2014

Sessão Estreias 2013 revela processos de escrita


Os primeiros romances de Bruno Vieira Amaral e Filipe Homem Fonseca foram tema da sessão Estreias 2013, que marcou o início das conversas com escritores, que o Festival Livros a Oeste proporciona ao final da tarde.

A relevância da geografia humana e dos locais familiares  nas obras de estreia destes autores foi um dos pontos chave da conversa, que a par das letras se centrou também na frieza dos números.
A escolha de cenários conhecidos foi justificada por ambos como um processo natural, na medida em que optaram ou foram conduzidos a escrever sobre um espaço familiar, com personagens inspiradas em pessoas com que se cruzaram.
Filipe Homem Fonseca desenvolveu a questão, dizendo que foi conduzido por um determinado caminho ficcional, pelas histórias do local onde vive, apercebendo-se de vivências mais tristes, resultado também do contexto socioeconómico atual.
O autor, que lançou “Se não podes juntar-te a eles, vence-os”, aborda no seu primeiro livro a desumanização crescente da sociedade, colocando muitas vezes a tónica nos números e na sua frialdade impessoal. Filipe Homem Fonseca aponta ainda a estatística como um filtro que nos distancia da realidade, que desumaniza.
A experiência e o processo da escrita foram outras  das grandes questões em foco na conversa. Bruno Vieira Amaral, autor do romance “As primeiras coisas” fala das pessoas da sua família que o inspiraram, nomeadamente das que regressaram de Angola e se instalaram num bairro na margem sul. As histórias daqueles que conhece e com quem convive conduziram-no a uma história ficcionada que “é um libelo contra a ideia do que é uma vida bem sucedida”.
A experiência de fruição da obra foi outro tema abordado, havendo a concordância entre os convidados que a receção do livro pelo leitor, tem, inevitavelmente, por detrás, a sua experiência e background literário.

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A boa e a má literatura, o papel do escritor e o processo de escrita, os críticos e os leitores foram assuntos debatidos pelos dois escritores.
Foi focado, também, de uma forma vincada a importância dos romances, enquanto objetos de ficção, tendo Bruno Vieira Amaral afirmado que “os livros devem ser avaliados não pela sua fidelidade à realidade, mas pela sua coerência interna”.