Os primeiros romances de Bruno Vieira Amaral e Filipe Homem Fonseca foram tema da sessão Estreias 2013, que marcou o início das conversas com escritores, que o Festival Livros a Oeste proporciona ao final da tarde.
A relevância da geografia humana e dos locais familiares nas obras de estreia destes autores foi um dos
pontos chave da conversa, que a par das letras se centrou também na frieza dos
números.
A escolha de cenários conhecidos foi justificada por ambos como
um processo natural, na medida em que optaram ou foram conduzidos a escrever
sobre um espaço familiar, com personagens inspiradas em pessoas com que se
cruzaram.
Filipe Homem Fonseca desenvolveu a questão, dizendo que foi
conduzido por um determinado caminho ficcional, pelas histórias do local onde
vive, apercebendo-se de vivências mais tristes, resultado também do contexto
socioeconómico atual.
O autor, que lançou “Se não podes juntar-te a eles, vence-os”,
aborda no seu primeiro livro a desumanização crescente da sociedade, colocando
muitas vezes a tónica nos números e na sua frialdade impessoal. Filipe Homem
Fonseca aponta ainda a estatística como um filtro que nos distancia da
realidade, que desumaniza.
A experiência e o processo da escrita foram outras das grandes questões em foco na conversa.
Bruno Vieira Amaral, autor do romance “As primeiras coisas” fala das pessoas da
sua família que o inspiraram, nomeadamente das que regressaram de Angola e se
instalaram num bairro na margem sul. As histórias daqueles que conhece e com
quem convive conduziram-no a uma história ficcionada que “é um libelo contra a
ideia do que é uma vida bem sucedida”.
A experiência de fruição da obra foi outro tema abordado,
havendo a concordância entre os convidados que a receção do livro pelo leitor,
tem, inevitavelmente, por detrás, a sua experiência e background literário.
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A boa e a má literatura, o papel do escritor e o processo de
escrita, os críticos e os leitores foram assuntos debatidos pelos dois escritores.
Foi focado, também, de uma forma vincada a importância dos
romances, enquanto objetos de ficção, tendo Bruno Vieira Amaral afirmado que “os
livros devem ser avaliados não pela sua fidelidade à realidade, mas pela sua
coerência interna”.









