Letras & ideias foi o tema da sessão que reuniu David Soares e Rui Tavares hoje ao final da tarde no Festival Livros a Oeste. A história e o futuro foram temas recorrentes nesta conversa, que trouxe para cima da mesa assuntos transversais na literatura como a forma e o conteúdo da obra literária.
David Soares defende que, atualmente, há uma sobreposição da forma relativamente ao conteúdo, dizendo que os livros são, cada vez mais, “guiões de cinema disfarçados”. “Pede-se aos escritores para usarem menos adjetivos, menos advérbios”, “para escreverem cada vez menos”. “Isso para mim é o pior que existe”, disse.
David Soares defende que, atualmente, há uma sobreposição da forma relativamente ao conteúdo, dizendo que os livros são, cada vez mais, “guiões de cinema disfarçados”. “Pede-se aos escritores para usarem menos adjetivos, menos advérbios”, “para escreverem cada vez menos”. “Isso para mim é o pior que existe”, disse.
O autor, à semelhança de Rui Tavares, defende o regresso dos romances de ideias, que emanam princípios e ideais filosóficos, bem como dos romances enciclopédicos. Reportando à sua obra, David Soares diz que pretende transmitir sempre as mesmas mensagens, mas sob pontos de vista diferentes – um “cristal multifacetado do meu universo de autor”.
Escritor, historiador e ensaísta, Rui Tavares, que também é eurodeputado, falou, sobretudo de história e da influência que este domínio tem na sua obra, dando o exemplo concreto da sua peça de teatro "O Arquiteto", baseada na história de Minoru Yamasaki, que desenhou as Torres Gémeas. Para o autor, "O Arquiteto" surge como uma peça de teatro de ideias, em que há uma reflexão sobre o fim da história.
Partindo de uma citação de Marc Bloch, “a história é a ciência da mudança que ocorre ao longo do tempo”, Rui Tavares afirmou gostar de refletir sobre as transformações na sociedade, abordando, neste âmbito, a sua obra “A Ironia da União Europeia” e a Real Mesa Censória, que constitui o tema da sua tese de doutoramento.
Numa segunda parte da conversa, em que as temáticas políticas e de crise de ideais dominaram, vieram à tona as preocupações dos autores relativamente à ascensão da extrema-direita nestas últimas eleições europeias.
David Soares foi, veemente, em considerar que “viver numa época histórica, envolve sempre a responsabilidade de não deixar valores, [que são] essenciais para a humanidade submergirem”.
Neste senda, Rui Tavares corroborou este princípio, dizendo que não nos podemos deixar levar pela simplicidade estúpida, pela banalização, muito embora esta tenda a sobrepor-se à simplicidade inteligente, consciente e cívica, em que predominam valores essenciais à civilização.








