Autores com percursos multifacetados, como André Gago, David Machado e Eduardo Raposo, estiveram hoje, ao final da tarde, no Festival Livros a Oeste, na sessão “Andarilhos à Conversa”.
A felicidade foi
a pedra de toque de uma conversa rica, feita da partilha de momentos felizes e
de diferentes perceções sobre este estado de espírito.
Formado em Economia, David Machado, fez uso do seu background
profissional para escrever "Índice médio de felicidade”. A partir de um tema que lhe é caro, o autor estudou
os índices de felicidade de diferentes países para a elaboração desta obra, que
fez tudo “para que não parecesse um livro de auto-ajuda”.
David Machado explicou que o tema o acompanha há vários
anos e que, mesmo em momentos mais conturbados, sempre procurou algo que o definisse como uma pessoa feliz. Deu o exemplo de uma
tatuagem com a palavra “feliz”, escrita
em mandarim, que fez num momento menos bom da sua vida.
O cariz epicurista da procura do lado bom da vida, foi,
de igual modo, um aspeto abordado na intervenção de Eduardo Raposo, que disse procurar a felicidade em tudo o que faz, seja na poesia, história ou na música. “Sou
um otimista cético, mas sou feliz”, afirmou.
Autor de uma obra sobre canto de intervenção, Eduardo
Raposo revelou alguns episódios interessantes sobre a temática, desvendando alguns
episódios da censura destes artistas, como foi o caso de Franscisco Fanhais, que o público teve oportunidade de ver e ouvir num vídeo projetado no decurso da sessão.
André Gago, ator, escritor, professor, com incursões no
campo da música, disse não ter o dom natural da felicidade dos seus colegas Eduardo
Raposo e David Machado, revelando que tropeça algumas vezes. No entanto, disse
encontrar a felicidade nas relações pessoais, de amizade e, com especial
ênfase, na vida profissional, nomeadamente nas muitas áreas em que trabalha. A polivalência do autor foi explorada ao longo da
conversa, que incluiu abordagens ao seu romance “Rio Homem” e à sua incursão na tradução de
poemas da Beat Generation, que mais tarde originaram um espectáculo de poesia e
música.
E como a música de intervenção foi um
assunto amplamente falado, quer pela experiência dos autores presentes, quer
pela sua importância na construção de um mundo melhor, o programador João Morales brindou o público com um momento único, homenageando um dos mais emblemáticos cantores de
intervenção do mundo, Pete Seeger, que faleceu este ano. No final da sessão, o auditório
do Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira encheu-se com a sua voz, interpretando a música da
quinta brigada internacional, que combateu pelos Republicanos contra os
Nacionalistas de Franco, durante a Guerra Civil espanhola.
Assista ao vídeo da sessão.
Assista ao vídeo da sessão.









